Meu Curriculo Psicoterapia Artigos Livros Cursos Bibliografia Conceitos de AT Fale Comigo
- Como e quando escolheu seu parceiro
- A teoria berniana do script inserida na cabala
- As Queixas Sexuais
- Frustração e ansiedade geram fantasia
- Resgate do Feminino nos Relacionamentos
- Ser e Pertencer na Era de Aquário
- Entrevista p/ Cássia Moreira - Jornal O Liberal (Belém-PA)
- Clasificación de conductas y contratos en comienzo de terapia
- Ética
Frustração e ansiedade geram fantasia
*Mônica Levi
Vivemos em um mundo onde a fantasia é incrementada e reforçada, muitas vezes, pelos nossos pais, pela televisão, novelas, cinemas, propaganda etc. E a questão é até que ponto estas fantasias podem ser favoráveis ou não às nossas vidas.
O que é fantasia ?
É uma imaginação, um devaneio, um sonho acordado. É uma obra da imaginação. Fantasia é um dos mecanismos de defesa do ego e, portanto, aparece com freqüência nos estados de frustração.
Mecanismo de defesa
É um processo mental inconsciente que possibilita ao ego livrar-se da ansiedade ou de estresse. São mecanismos de defesa a racionalização, a projeção, conversão, fantasia, generalização, repressão etc.
Acredito que a fantasia pode ser usada a partir de duas finalidades: uma construtiva, onde se imaginam coisas boas, positivas, para sentir-se bem; é uma maneira de carregar a bateria de carícias. Outra maneira positiva de usá-la é através de contos de fadas, ou seja, através disto a criança pode vivenciar todos os sentimentos de agressão e ciúme que provavelmente sentirá pelos seus irmãos, sentimentos hostis em relação aos pais que, às vezes, são sentidos como bruxos ou madrastas. Isto diminui a culpa e a ansiedade da criança, sabendo que em outro lugar, em outro tempo, outros personagens sentiram a mesma coisa.
A fantasia pode ser construtiva também quando é usada para ensaiar coisas que se querem atingir usando a espera como tempo de esquentamento. A fantasia pode ser destrutiva quando se imaginam coisas negativas para sentir-se mal, usando isto como programação para sair-se mal.
Muitas pessoas questionam: É normal ter fantasias? É. Você pode fantasiar o que puder, sabendo que é uma fabricação sua. Você pode entrar e sair dela quando quiser e não é obrigado a realizá-la. A questão quanto à normalidade é uma questão de grau: o quanto a fantasia está preenchendo sua vida ao invés da realidade.
O problema da fantasia é que ela pode estar baseada em uma ilusão e a ilusão é o engano dos sentidos ou da inteligência, é uma coisa efêmera, errada, a interpretação de um fato e a percepção inexata de um objeto ou de uma situação. Segundo Eric Berner, toda a patologia das pessoas está baseada nas ilusões que norteiam o script da vida. Existem duas ilusões básicas: ou "papai noel" virá trazendo presentes para as vencedores (por exemplo, a mulher que espera o príncipe encantado) ou a morte virá resolver o problema dos perdedores. Este tipo de pessoa sente-se culpada ou fútil para demonstrar que a merecem. Por exemplo, a mulher frígida ou fantasias de acidentes fatais; as pessoas esperam anos pelas ilusões e, depois, se desiludem e entram em desespero, tendo neste momento quatro alternativas:
1 - Suicídio;
2 - Seqüestro da sociedade, através de hospitalização ou prisão;
3 - Ficar livre das pessoas pelo divorcio ou homicídio;
4 - Abandonar as ilusões, os jogos e entrar na realidade.
Prazer real
Acredito que o momento da desilusão, quando bem elaborado, é o momento em que se entra na idade adulta. Quando a desilusão acontece abrupta e traumaticamente, principalmente na infância, pode acarretar conseqüências sérias e decisões básicas de vida. Exemplo: gostaria de ilustrar, com caso clínico de terapia de casal, como surgiu a fantasia e como foi sendo elaborada juntamente com a terapia. Há sempre as fantasias sexuais compartilhadas em seu conteúdo pelo casal. Neste caso, o paciente relatou o conteúdo de suas fantasias sexuais que usava para ficar excitado; ele fantasiava sua parceira tendo relações com outras mulheres.
A fantasia não a estimulava, o que gerava para ele uma certa frustração e também uma culpa pelo conteúdo da fantasia. Fantasiou e propôs para sua parceira, para maior estimulação, fazer sexo grupal, o que ela não aceitou por não ser a sua opção. Subjacente a estas fantasias, o que existia nesse casal, era falta de prazer causada por disfunção sexual. Na terapia foi trabalhado o vínculo e o relacionamento deles, a fantasia de temor homossexual dele. Foi feita terapia sexual e dada permissão de poder fantasiar, que isso não é patológico.
Nesse ponto, começa a mudar o conteúdo da fantasia, ele imagina a mulher com outro homem, surge agora a figura masculina. A partir dessa nova fantasia, é trabalhado o ser espectador da própria vida, sem se permitir entrar como ator. Surge uma nova fantasia, onde ele consegue fantasiar tendo relações com sua mulher.
Foi verificado que diminuiu também a quantidade de fantasias, porque conseguiu-se entrar em contato com o prazer real e sentiu-se que era muito melhor ficar no aqui e agora do que fantasiar. Isso demonstra que, diminuindo o estado de frustração e ansiedade, não é necessário usar a fantasia como mecanismo de defesa.
*Mônica Levi é membro didata da UNAT-BR
Este artigo foi tema de mesa redonda em Congresso de AT, foi publicado no jornal da Cobrat/97 e gravado em disquete dos artigos selecionados da UNAT-BR.
Resgate do Feminino nos Relacionamentos
*Monica Levi
A dificuldade de estabelecer ou manter relacionamentos, acarreta o mesmo mal : solidão.
Para combater este mal, as pessoas procuram saídas no externo: academias, mais status, preencher o vazio com mais trabalho.....mas continuam insatisfeitas.
Por que isso acontece? Porque buscam no outro e no externo o que deveriam procurar dentro de si, o encontro entre a parte feminina e masculina de alma e a maioria não consegue pois tem seu feminino interno destruído, então é preciso resgatá-lo.
O gênero (masculino e feminino) tem uma construção cultural aprendida que pode variar no tempo e no espaço.
Nossas crenças atuais puderam se tornar plausíveis historicamente a partir do primeiro exemplo de relacionamento: Adão e Eva.
Quando o homem se torna bípede, ocorrem mudanças físicas, sexuais, e surge uma nova atividade, o homem vai caçar e a mulher cuida das crias, surge o primeiro contrato de relacionamento.
Na Grécia, surge o conceito da natureza erótica da mulher, venerada nos templos do amor, este conceito passou pelo Egito e no começo do Império Romano.
Com o advento do Cristianismo, as qualidades pelas quais a mulher era considerada sagrada, são as mesmas que a tornam degradada.
Na Idade Média, surge o amor cortês e romântico onde a mulher é idealizada, como com Tristão e Isolda, um amor sem compromisso.
No século XVIII começa a nossa atual compreensão da sexualidade, havia um só sexo a mulher era representante inferior por não ter calor vital anatomicamente descrita como um homem invertido mas se distinguiam os gêneros. No começo do século XIX com a revolução industrial começou a se exigir a diferença dos sexos para estabelecer a diferença dos gêneros. Os ideais igualitários da revolução democrático-burguesa, onde perante a lei todos temos os mesmos direitos jurídico-políticos com exceção dos naturalmente inferiores, justificaram a desigualdade natural da mulher para confirmar a não habilidade para exercer papéis na vida pública sendo consideradas política e moralmente inferiores e destinadas anatomicamente a maternidade, mesmo assim a mulher entra na produção, sem leis trabalhistas e direito a voto e o homem se sente ameaçado.
Hoje além da cultura dominante com contratos de relacionamento que permanecem desde Adão e Eva, existe a influência do ambiente familiar surgindo mulheres tipo Evas que projetam seu animus no homem e estes se tornam machões é a mulher por trás do homem ou a mulher na frente do homem, possuída pelo animus, competindo com o masculino e deixando o feminino no plano secundário.
O homem pode estar continuando com a atitude do caçador das cavernas e com a influência da diferença de gêneros.
Existe hoje uma desordem amorosa onde os papéis se redistribuem e precisamos aprender a resgatar o feminino representado pela anima que contém as emoções, o Eros e facilita as relações.(1)
Contratos de Relacionamento e sua Relação com o Tempo
Se você se casou na igreja ou na sinagoga, por exemplo, deve lembrar as palavras do ritual. O casamento católico lembra que é preciso estar junto na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando e respeitando até que a morte os separe. No ritual judaico ......enquanto dure o casamento.
Seja qual for a crença, estes são exemplos de um contrato geral de união, que está associado à noção de tempo, pois o casamento é um contrato de uma relação colaborativa a longo prazo.
Para que isso aconteça, existem no casamento ocidental algumas premissas, que nem sempre se realizam: que o casamento seja voluntário, permanente, exclusivo e orientado para atingir objetivos com tarefas mútuas que devem ser cumpridas a longo prazo e etapas com limite de tempo.
Lembro que estas premissas não implicam necessariamente em realizações, nem que as partes verbalizem ou pensem a respeito.
Todavia o casal tem mais de um contrato. Na verdade há vários deles. As características que atraem no outro, o que cada um espera receber pelo que dá (o quid pro quo do casamento)também fazem parte do contrato consciente do relacionamento. Muitas vezes implícito, é verdade.
Mas, ainda há os contratos inconscientes, que as pessoas desconhecem (estes só a terapia decifra).
Quando algum desses contratos não é seguido, gera uma sensação de insatisfação, frustração e até de traição. Muitas vezes nem se sabe por que, principalmente em relação ao contrato inconsciente. Nesse momento de crise, é importante reformular os contratos.
Além dessa noção de metas a serem cumpridas a longo ou curto prazo, temos o tempo objetivo (tempo-relógio) e o tempo subjetivo (tempo eu). Como disse o Dr. Albert Einstein ...A sensação de tempo, como a da cor, é uma forma de percepção. Assim como não existe cor sem olho que a distinga, também um instante, uma hora ou um dia nada significam sem um evento qualquer que os marque. E assim como o espaço não passa de uma possível ordem de objetos materiais, também o tempo não passa de uma possível ordem de acontecimentos. (2)
(1) Extraído do livro : Destruição e Resgate do Feminino, no homem e na mulher Ed. OLM,99
(2) Extraído do livro: Um Novo Começo, como superar sem trauma uma separação Ed. Gente, 4º edição.
*Mônica Levi - psicoterapeuta, com especialização em terapia de casais e sexual, professora de cursos de especialização e conferencista. Autora do livro Um Novo Começo, Como Superar sem Traumas uma Separação, ed. Gente e co-autora do livro Destruição e Resgate do Feminino ed.OLM
SER E PERTENCER NA ERA DE AQUÁRIO
Integrando a Psicologia Espiritual da Cabala
*Mônica Levi
Uma das causas da crise que a Humanidade está passando é que mudaram as verdades absolutas, os caminhos habituais que foram seguidos não correspondem à realidade e necessidades atuais. Sabemos das nossas falhas de percepção quando observamos nosso mundo e cabe questionar o que é realidade e o que é ilusão. Por isso a proposta de caminhos alternativos, integrando as propostas atuais com a antiga, porém ultra moderna, sabedoria da Cabala.
Cabala significa RECEBER, e receber o que? A LUZ, a energia.
O ser humano tem duas forças opostas operando simultaneamente: a luz que queremos receber e a que queremos compartilhar com o s outros. Uma analogia para exemplificar é a lâmpada elétrica com seus três componentes: prótons, elétrons e filamento. Os prótons correspondem à energia positiva, nossa natureza de compartilhar. Os elétrons à energia negativa, nossa natureza egoísta. E o filamento é o lado mais interessante. Traz os dois tipos de energia ao mesmo tempo, atuando como uma barreira, previne um curto e gera luz. Esta é a essência da restrição, que tem sido mais definida ultimamente pelos cabalistas.
A restrição à nossa re-ação e , num segundo nível o ser pró-ativo, para chegar ao verdadeiro self, no caminho da LUZ.
*Mônica Levi - Membro Didata Clínico da UNAT-BR, São Paulo / SP.
Artigo publicado nos anais do Congresso Brasileiro de A.T, B.Horizonte/97 e em disquete dos artigos selecionados da UNAT-BR.